"Lembrei, Lembrei"
Estória de  Arleen e Eileen


     No verão de 1937, quando tínhamos sete anos, minha irmã gêmea e eu brincávamos em nosso quarto de brinquedos, quando recebemos a primeira visita do nosso companheiro de brincadeiras. Sentado do outro lado do quarto e vestindo uma túnica longa e branca com sandálias, nosso amigo tinha uma aparência radiante e feliz; Ele era muito bonito! Nossos coraçãozinhos pularam de alegria e pedimos para Ele brincar conosco. Ele concordou com a cabeça, sorrindo feliz e, esticando os braços, nos deu as boas-vindas. Corremos para receber seu abraço amoroso; foi como se tivessemos dissolvido e nos unido à Ele.

     Temos tantas lembranças bonitas daquelas visitas, como quando colocávamos os chapéus de nossa mãe em Sua cabeça e Ele fazia caretas engraçadas cada vez que experimentava um novo chapéu; ou de como Ele gostava de olhar dentro das nossas bolsinhas, sempre parecendo surpreso com o que encontrava e, também, de como ríamos juntos. Nossa lembrança predileta, e a mais especial, é de quando brincávamos de tomar chá. Sentado com a xícara e o pires em Suas lindas mãos, Ele tinha um aspecto tão doce que um sentimento muito especial nos envolveu. Conforme fingíamos beber o chá, os olhos Dele ficavam rasos d'água e brilhavam tanto que nossos corações sentiam como se Ele dissesse: "Eu amo vocês, minhas pequeninas."

     Em uma destas visitas, Ele estendeu as mãos de palmas para cima. Entendemos o que Ele queria e quando Lhe demos as mãos, Ele nos puxou para perto de Si. Ficamos paradas, olhando para Seu belo rosto, por um bom tempo, apreciando cada minuto...

     ... Ele sempre batia palmas quando dançavamos, cantávamos ou fazíamos teatrinho, fazendo-nos sentir tão felizes e descontraídas, sempre sentindo que estávamos Lhe agradando. Ele jamais disse uma palavra, mas nunca notamos ou estranhamos o Seu silêncio. Seu amor era tão completo e Ele gostava tanto de tudo que fazíamos, que só queríamos fazer mais e mais. Nunca nos sentíamos acanhadas, apesar se sermos muito tímidas...

     ...Na última vez que apareceu, Ele estava em pé e disse: "Vocês estiveram comigo por algum tempo mas, agora, preciso ir. Vocês não se lembrarão destes dias que passamos juntos. Logo voltarei e vocês me reconhecerão." Em seguida, Seu corpo se dividiu em dois e, com um movimento rápido, Ele entrou em nós duas ao mesmo tempo. Nesse momento, tudo se apagou de nossas memórias.

     Quarenta e três anos depois, meu marido, Jeff, e eu ouvimos falar sobre Meher Baba e encomen- damos algums livros sobre Ele. Quando chegaram, Jeff abriu o pacote e o livro "O Mestre Perfeito", uma biografia de Meher Baba, foi o primeiro que tiramos da caixa. Ao ver a foto do Baba na capa, me veio uma doce lembrança e senti o Seu amor tão lindo, que eu só conseguia chorar sem parar.

      Passado algum tempo, quando finalmente consegui falar, exclamei: "Lembrei! Lembrei!"
Telefonei imediatamente para minha irmã, Eileen, para que viesse à minha casa o mais rápido possível, pois queria mostrar-lhe algo. Quando ela chegou, eu estava pulando de alegria. Ao entregar-lhe o livro, ela também se lembrou Dele e nós duas começamos a pular juntas. Ele era aquele nosso amigo de infância!
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