O Viajante Felíz
Primeira Parte

“O Viajante Feliz “(do livro “A Próxima Onda de Meher Baba”, resumo da estória de Gil, primeira parte)

Em 1969, ouvi o nome de Meher Baba, pela primeira vez, enquanto viajava de carona para São Francisco na Califórnia. As pessoas da caminhonete disseram que Ele era Deus e achei que só poderiam estar loucos. Depois de algum tempo, resolvi ir para Nova Iorque, também de carona, para assistir a peça “Hair”. Foi nesta viagem que li um artigo no jornal sobre Meher Baba que dizia que Ele havia desencarnado recentemente. Sempre achei que o Cristo iria voltar e, quando li esta notícia, me dei conta de que Ele esteve aqui e que eu havia perdido a oportunidade de conhecê-Lo.

Passando por Nova Orleans, ouvi falar sobre um emprego em um Cruzeiro, que partiria da Flórida, e resolvi que iria lá para ver se conseguiria esse trabalho. Mas, antes, fui para Nova Iorque. Assim que cheguei em Nova Iorque, conheci, por acaso, um seguidor de Meher Baba que me convidou para ir a uma reunião de seguidores do Baba. Fiquei sabendo, através deles, sobre um lugar chamado Centro Espiritual Meher em Myrtle Beach na Carolina do Sul, onde as pessoas podiam ir visitar. Resolvi passar por lá, já que era caminho para a Flórida.

Ao chegar no Centro Meher, uma discípula que conheceu Meher Baba, chamada Kitty Davy, me apresentou ao Jim Meyer que trabalhava lá. Ela pediu a ele que me explicasse várias coisas que eu queria saber, mas que nem sequer conseguiria definir para mim mesmo. Quando falei que gostava de meditar, Jim mencionou, entre outras coisas, que havia um lugar especial, no Centro, chamado Cabana da Lagoa, aonde algumas pessoas gostavam de meditar. Então, resolvi meditar lá e tive uma experiência tão profunda, mas tão profunda, que até saí cambaleante.

Mais tarde, Jim me mostrou outros lugares no Centro. Por último, fomos ao “Barn”, que é uma “cabana” grande, a qual, no passado, foi um celeiro, mas que, já há muito tempo, de celeiro só tem o nome. Enquanto encarnado, Baba costumava reunir-se com grandes grupos lá e nos dias atuais, é o local de reunião para ocasiões especiais.

Jim saiu, me deixando sozinho. Comecei a olhar em volta e vi alguns quadros, nos quais estavam escritas algumas mensagens do Baba, como “Não desejes nada e tudo terás” e “Procures não possuir nada, mas, sim, renunciar a tudo”. Não concordei com nada do que li, pois acreditava que as pessoas deveriam sempre gozar a vida e que qualquer tipo de renúncia seria uma aberração.

Porém, ao mesmo tempo, tudo que lia fazia meu coração subir às alturas, me fazendo sentir uma imensa sensação de felicidade e beleza! Senti-me tão bem que parei de me importar se as mensagens eram certas ou erradas, verdadeiras ou não. Era tudo tão bonito que li todos, até o último quadro e, depois, fui para o meio do salão. Fiquei de pé, perto de uma das cadeiras, olhando para uma foto do Meher Baba e sentindo uma incrível atmosfera de amor, quando notei que havia um cordão amarrado nos braços de uma das cadeiras, de forma que ninguém pudesse usá-la, deixando claro que Meher Baba havia se sentado nela.

Pude perceber que assim fizeram porque achavam que Ele era Deus, mas, por ser um pouco céitico, achei esquisito e não gostei. Porém, pensei: “Mas, como ter certeza se Ele é mesmo Deus? Se Deus quisesse que soubessemos quem Ele é, Ele nos mostaria, de um jeito ou de outro.” Olhando em volta, continuei pensando: “Não sei porque estou aqui e não sei quem é o Baba, mas me parece que vale a pena ir mais a fundo e descobrir mais sobre ele. Enquanto eu continuar meditando,” (e para mim, naquela época, meditar significava me apoiar em Deus) “o que eu tenho a perder?”

Estas seis palavras, “O que eu tenho a perder”, marcaram o fim da vida como eu até então conhecia. Num piscar de olhos, estava chorando e soluçando sem parar. Algo mudou em meu coração e descobri que havia, finalmente, encontrado aquilo que eu nem sequer sabia que procurava. Senti meu coração pleno, transbordando de amor. As lágrimas escorriam pelo meu rosto e senti como se eu, finalmente, tivesse encontrado o lugar onde sempre pertenci, o meu lugar ao sol.

Nunca mais precisei perguntar se Baba é Deus ou não, pois, de repente, soube que a resposta sempre esteve em meu coração. Quando criança, eu lia sobre Jesus na Bíblia, de como as pessoas caíam chorando aos Seus pés, banhando-os com suas lágrimas. Sempre tentei imaginar como me sentiria se fosse uma dessas pessoas e, depois daquele dia, pude entender, pois era exatamente o que estava acontecendo comigo.
AMBKJ
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